Nunca caminhamos sós, temos uma história, pensamentos difusos ou concretos a passear na cabeça, temos roupa, temos acessórios, temos cabelo, cara, identidade, expressões, voz e um corpo. Um imigrante não vem só. Traz consigo pensamentos que pertencem a si e fruto da sua cultura, traz a roupa da moda, da sua moda, o penteado característico da sua cultura, a identidade ganha num outro local, a voz com língua não portuguesa e um corpo. Esta bagagem, esta mala de viagem cultural não é desprezada mas integrada no novo país, e, por sua vez, ganha novos pertences da cultura do país para onde imigrou. É um fenómeno de aculturação, de intercâmbio, uma dinâmica troca de valores, modas, falas e cores. O nosso país é uma forma colectiva de bagagens, onde a música que ouvimos, as palavras que empregamos e os filmes que vemos não são tipicamente portugueses, pois não? Se pensarmos bem vivemos numa cultura mestiça, nós e todo o mundo, não existe tal coisa como uma cultura pura, por isso deixemo-nos de extremismos e encaremos a diversidade que aceitámos viver quotidianamente. É ridículo acusarmos quem imigra para Portugal de “contaminar” os nossos costumes (brandos) portugueses, pois, na realidade, passamos o tempo a exportar formas culturais do estrangeiro, sem pagar taxa fixa. Os filmes americanos, o earl grey vindo directamente de Londres, a camisola feita na China, no Paquistão ou na Índia, o novo single de rap, as havaianas do Brasil, e outras infinitos contributos mundiais, que genericamente falando são “bués”( palavra africana). Enganam-se se estiverem a pensar que estou a atacar o nosso costume de exportar costumes, estou simplesmente a dizer que é incoerente apontar o dedo a quem vem de fora quando nós trazemos o “fora” constantemente para dentro.
Estereótipos à parte, os contributos da imigração podem ser extremamente enriquecedores, não esquecendo que existe também uma assimilação dos costumes portugueses por parte do imigrante. Ou seja, homogeneizamos as formas de viver, se estas não forem incompatíveis ou se não nos mantivermos impermeáveis a novos hábitos.
Sara Mendes
segunda-feira, 15 de março de 2010
Visita à ACIDI

No dia 3 de Março de 2010 fomos visitar a ACIDI, uma associação na luta pela igualdade de direitos e cujo lema é “Mais diversidade, melhor humanidade”.
A missão do Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural é, essencialmente, promover o valor da diversidade, tendo um importante papel no combate à discriminação. O trabalho desta Associação tem por base sete princípios base:
- Igualdade
- Diálogo
- Cidadania
- Hospitalidade
- Interculturalidade
- Proximidade
- Iniciativa
Assim sendo, observámos que o ACIDI se encaixava perfeitamente no nosso projecto e decidimos contactar esta associação.
Quando lá chegámos, fomos muito bem recebidos no Centro de Documentação, que nos cedeu diversas publicações e obras sobre a temática da imigração publicadas pelo ACIDI, em colaboração com o Observatório da Imigração (OI).
Também nos aconselhou sobre outras associações que podemos contactar e que, provavelmente, nos serão úteis, como o SOSRACISMO, CICDR…
Todas estas informações que nos foram disponibilizadas serão muitíssimo importantes para o documentário que estamos a planear realizar no 3ºPeríodo.
sábado, 6 de março de 2010
Bertold Brecht
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora levam-me a mim
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.
Bertold Brecht
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora levam-me a mim
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.
Bertold Brecht
Visita à associação Solidariedade Imigrante



No passado dia 24 de Fevereiro de 2010, dirigimo-nos à associação Solim (Solidariedade Imigrante), uma associação pela defesa dos direitos dos imigrantes.
Esta corporação, como afirmam, quer dar uma palavra autónoma e independente aos imigrantes para que todos possam exercer os seus direitos, independentemente do país, religião, etnia ou sexo.
Chegámos à Rua da Madalena e procurámos pelo nº8. Ao subirmos ao 2ºandar deparámo-nos com um pequeno apartamento, onde está instalada a associação. Este espaço tem cores vivas e alegres, transparecendo o espírito que aqui se vive: de união, partilha de experiências e ajuda. É também um local com apenas o mobiliário essencial: algumas mesas no centro onde as pessoas podem conviver e procuram assistência. A associação tem uma sala onde se encontram dossiers com toda a informação dos sócios, outra com alguns computadores e livros e mais uma ou duas salas para outras tarefas.
Este sítio revela a multiplicidade de culturas que aqui se cruzam, num local onde discriminação não tem significado.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Apartheid, uma (antiga) realidade
Apartheid significa vida separada, segregação racial.
Palavra de origem africana, surgiu, pela primeira vez, num discurso do primeiro-ministro da África do Sul, associada à superioridade da "raça" Branca sobre a "raça" Negra.
Surge, assim, em meados do século XX, este movimento discriminatório, criador de divisões, de entraves, de impedimentos, associado à arrogância e prepotência dos ditos Brancos. A "raça inferior" era segregada, privada do exercício da cidadania, humilhada em hospitais, transportes públicos, e até privada do direito à propriedade.
E, como (não) se costuma dizer, "a intromissão matou o gato", que é como quem diz, Nelson Mandela foi preso assim que procurou defender a "raça inferior".
Palavra de origem africana, surgiu, pela primeira vez, num discurso do primeiro-ministro da África do Sul, associada à superioridade da "raça" Branca sobre a "raça" Negra.
Surge, assim, em meados do século XX, este movimento discriminatório, criador de divisões, de entraves, de impedimentos, associado à arrogância e prepotência dos ditos Brancos. A "raça inferior" era segregada, privada do exercício da cidadania, humilhada em hospitais, transportes públicos, e até privada do direito à propriedade.
E, como (não) se costuma dizer, "a intromissão matou o gato", que é como quem diz, Nelson Mandela foi preso assim que procurou defender a "raça inferior".
Ora, se não é isto que se passa hoje em dia, algo muito semelhante acontece: imigrantes são segregados para bairros e regiões com inferiores condiçoes de vida, surgindo assim "Bairros Sociais", bairros problematicos, habitados por individuos de diferentes etnias, associados às elevadas taxas de criminalidade, levando a tão aclamada "Raça Branca" a culpar, por indução e, de certa forma, por culpa própria, os "Pretos" e "Ciganos".
Existem também pessoas que se querem caladas, à força, ou não. Assim, não as podendo prender (por vivermos numa "espécie de Democracia"), utilizam-se outros métodos não tão evidentes.
Existem também pessoas que se querem caladas, à força, ou não. Assim, não as podendo prender (por vivermos numa "espécie de Democracia"), utilizam-se outros métodos não tão evidentes.
Bernardo Cavalheiro
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segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Leis contra a discriminação
É certo que até há pouco tempo atrás era ignorada a discussão sobre discriminação. A discriminação era posta de parte, era um assunto tabu e ele próprio discriminado.
Hoje a discussão é excessiva, cliché e acima de tudo presente nos meios de informação.
Actualmente, as pessoas são tratadas como iguais e quando isso não acontece existem sanções.
As leis contra a discriminação surgiram para prevenir e proibir este crime e punir a prática de actos que violem os direitos fundamentais do ser humano.
Mas afinal o que é a discriminação?
Discriminação racial são todos os comportamentos (como distinção, exclusão, restrição ou preferência) que prejudicam uma pessoa pela sua cor de pele, nacionalidade, raça ou origem étnica.
O assédio é também uma forma de discriminação e por vezes bastante comum. Tem o objectivo de afectar a dignidade da pessoa ou criar um ambiente intimidativo, hostil, degradante ou até humilhante.
Quanto as leis são violadas aplicam-se punições que vão dos 500€ aos 5000€.
Para denunciar estes crimes existem algumas entidades como: Ministério Público (www.pgr.pt), PSP (www.psp.pt) ou GNR (www.gnr.pt).
Hoje a discussão é excessiva, cliché e acima de tudo presente nos meios de informação.
Actualmente, as pessoas são tratadas como iguais e quando isso não acontece existem sanções.
As leis contra a discriminação surgiram para prevenir e proibir este crime e punir a prática de actos que violem os direitos fundamentais do ser humano.
Mas afinal o que é a discriminação?
Discriminação racial são todos os comportamentos (como distinção, exclusão, restrição ou preferência) que prejudicam uma pessoa pela sua cor de pele, nacionalidade, raça ou origem étnica.
O assédio é também uma forma de discriminação e por vezes bastante comum. Tem o objectivo de afectar a dignidade da pessoa ou criar um ambiente intimidativo, hostil, degradante ou até humilhante.
Quanto as leis são violadas aplicam-se punições que vão dos 500€ aos 5000€.
Para denunciar estes crimes existem algumas entidades como: Ministério Público (www.pgr.pt), PSP (www.psp.pt) ou GNR (www.gnr.pt).
Madalena Costa e Silva
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